Em mais um filme de época, a atriz encarna uma heroína sofrida, performance que lhe valeu indicação ao Globo de Ouro deste ano
Toda vez que escuta uma pergunta sobre esse assunto, Keira que ganhou popularidade mundial com a fabulosa trilogia cinematográfica Piratas do Caribe (que acumulou mais de 2,6 bilhões de dólares de bilheteria) não titubeia. “É realmente frustrante que me questionem sobre minha aparência física ou o meu peso, quando estou disposta a falar de um filme tão inteligente”, reagiu a atriz na Itália, sem dar explicações ou satisfações, quando inquirida sobre seu corpo nitidamente esquálido.
Na entrevista a seguir, concedida durante o festival de cinema italiano, o mais novo rosto do perfume Coco Mademoiselle, da maison Chanel, namorada do também ator Rupert Friend, 26 (que conheceu quando rodou o filme Orgulho e Preconceito, em 2005), revela-se uma jovem ainda atordoada com o sucesso repentino, mas que não se deixa impressionar pelas listas de mais belas ou mais sensuais (nem das mais esqueléticas) da mídia especializada em celebridades. E, apesar de aparecer com vestidos glamorosos nos tapetes vermelhos do mundo do cinema, confessa um certo desdém em relação ao circuito fashion. “Não me interesso particularmente por moda”, diz a inglesa, que concorre ao Globo de Ouro deste ano por sua performance no novo filme do diretor inglês Joe Wright, 35.
Desejo e Reparação é o seu segundo filme de época em dois anos. Isso sem contar a trilogia Piratas do Caribe. O que vê de tão especial nesse tipo de filme?Não é uma coisa planejada. Mas realmente gosto de fazer filmes de época, porque adoro fantasia e é mais fácil mergulhar em um outro mundo, uma outra época, quando se é removida completamente da realidade em que vivemos. Em contrapartida, esse tipo de filme exige mais pesquisas sobre o período em que a história se passa. Fez algum tipo de pesquisa para este filme?
Existe um livro chamado Reparação, de Ian McEwan, no qual o longa foi baseado, sabia? (risos) Brincadeira! Além do livro de McEwan, eu li A Grã-Bretanha de 1939 a 1945, que descreve em pormenores como era a vida na Inglaterra naquela época. Aliás, é um livro maravilhoso. Também assistimos a vários filmes do David Lean. A primeira coisa que me deixou bastante animada com esse projeto foi saber que Joe (Wright, diretor) queria usar o estilo de interpretação dos anos 40, o que a gente não vê com freqüência nos dias de hoje. Cecilia Tallis, sua personagem, é extremamente romântica, assim como eram suas outras personagens nos filmes de época que fez. Tais papéis refletem em sua personalidade ou são um reflexo dela?
Eles me afetam muito pouco. Temos de ser realistas no caso de papéis femininos no cinema: os grandes personagens masculinos ainda predominam. A maioria dos papéis femininos, principalmente de mulheres românticas, serve de objeto do interesse amoroso do protagonista da história! De vez em quando encontramos personagens maravilhosos como Cecilia, que tem algo totalmente diferente de outros personagens românticos. O sucesso ainda te assusta?
Claro que sim! A gente nunca sabe se um filme vai funcionar ou não. Não há uma fórmula para isso. Envolve muita sorte. Por exemplo, todo mundo ria na minha cara quando eu dizia que ia fazer Piratas do Caribe, um filme inspirado em um brinquedo do parque temático da Disney. Era constrangedor, mas eu acabei fazendo porque não tinha outras ofertas em vista na época. E o filme surpreendeu. O mesmo aconteceu com Orgulho e Preconceito. Todo mundo dizia para eu não fazer, porque ninguém iria ver mais uma versão do romance da Jane Austen, que a versão da (TV) BBC tinha sido fantástica e ninguém ia querer saber de outra tão cedo. E, de novo, tivemos uma nova surpresa. Como encara o assédio nas ruas?
Já demonstrei meu ódio pelos paparazzi em diversas ocasiões, mas decidi não fazer isso de novo. No entanto, continuo achando inadmissível a perseguição e a intimidação que se faz para se obter fotografias. Acho perigoso, já que as pessoas podem sair feridas nesse tipo de abordagem. É um assunto que devemos, sempre que possível, discutir. O que acha de estar sempre aparecendo na lista das mulheres mais sexys, mais belas, mais desejadas? Esse tipo de título a afeta de alguma forma?
De forma alguma. Acho uma besteira. A gente sabe que, no dia seguinte, uma outra pessoa estará na mesma lista. Não tem nada a ver com o trabalho que faço. Sou uma atriz, é isso o que eu faço. Se a sua família e seus amigos te amam é o que importa.
Os figurinos de sua personagem em Desejo e Reparação são deslumbrantes e você usou um vestido Chanel na première do filme em Veneza. É uma vítima da moda?Para falar a verdade, não. De vez em quando, visto-me bem para alguma ocasião especial e é só. Mas posso dizer que adoro fazer parte do processo de confecção das roupas das minhas personagens. O vestido de noite verde que todo mundo elogia no filme foi o resultado de uma contribuição minha, do Joe (Wright, diretor) e da figurinista, a Jacqueline Durran, que é excepcional. Trabalhamos com ela também em Orgulho e Preconceito. Adoro trabalhar com Jacqueline, porque ela permite que os atores ajudem a encontrar roupas que construam a personagem. A maioria dos designers por aí só gostam de gritar, “fique parada! Estou escolhendo roupas para você usar!”.












