Piratas do Caribe


Verdadeiros marujos em Utah e a volta para a Califórnia

E a viagem ainda não tinha terminado para a companhia também. O reinício das filmagens de No Fim do Mundo (At World’s End) em 3 de agosto de 2006, veria a produção voando para Bonneville Salt Flats, em Utah, para alguns dias de calor escaldante, com temperaturas que chegam a quase 38ºC graus Celsius. Como de costume para Gore Verbinski, a locação mais complicada era perfeita para as cenas em que o capitão Jack Sparrow está pouco a pouco enlouquecendo nos Domínios de Davy Jones. É claro que, Piratas sendo Piratas, a maldição do mau tempo perseguiu a companhia até mesmo em Utah. “Dois dias antes de começarmos a filmagem soubemos que estava chovendo nos flats”, recorda o primeiro assistente de direção Dave Venghaus. “E quando chove, não é pouco, torna-se uma enorme piscina de água reluzente. Nós entramos em pânico, porque queríamos os elementos secos do deserto e não um visual molhado e salgado. Quando chegamos lá, passamos por alguns centímetros de água por cima do sal a caminho da locação que ficava a uns 3 metros nos flats; mas, graças a Deus, a água logo secou e nós pudemos fazer o trabalho. Isso não me surpreendeu, porque não importa onde fossemos, de um jeito ou de outro, o fator água sempre nos afetava.” O produtor executivo Eric McLeod confirma: “Nós filmamos em agosto, que é o mês mais quente do ano naquela região de Utah, e tínhamos dois centímetros de água dois dias antes de chegarmos, que por sorte logo evaporaram. Mas se você quiser mudar o tempo, chame a produção de Piratas que você conseguirá!”

A trupe trocou o calor tropical e úmido do Caribe por condições desérticas do outro mundo, na árida região de Salt Flats, que se estende por mais de 30.000 acres e é famosa por ser o lugar em que veículos com motores especiais quebram todos os tipos de recorde de velocidade. Tirando uma breve passagem pelas praias de Santa Maria, na costa central da Califórnia, a companhia – abençoadamente – ficou perto de casa durante a filmagem de No Fim do Mundo (At World’s End), rodando mais seqüências do gloriosamente sinistro Flying Dutchman e da luxuosa cabine do capitão do Endeavour, criados por Rick Heinrichs, nos estúdios Walt Disney, e a bordo do Pérola Negra, na costa de San Pedro e de Redondo Beach.

Isto apresentou mais e específicas dores de cabeça, já que o píer de carga de Redondo Beach é uma instalação pública e obviamente a produção chamou muita atenção do público e da mídia local. Centenas de fãs vinham para o acampamento base todos os dias de um modo que a produção nunca tinha visto antes, já que todos estavam acostumados às locações remotas de São Vicente, Dominica e Bahamas, onde, francamente, a população local tinha mais o que fazer do que pedir autógrafos de astros de cinema. “Eu só percebi o quanto Piratas tinha se tornado grande quando fui a première de O Baú da Morte (Dead Man’s Chest) na Disneylândia”, admite Kevin R. McNally. “Foi como ser um dos Beatles por um instante. Depois, quando estávamos filmando em Redondo Beach, as pessoas enlouqueceram. Foi inacreditável. É uma verdadeira honra fazer parte de algo que tem um apelo tão amplo e que tantas pessoas adoram.”

Ironicamente, depois de filmar nas águas sempre agitadas do Caribe e do Atlântico, alguns dos mares mais turbulentos que a produção enfrentou foi na costa do Rancho Palos Verdes, com ondas enormes que balançavam o Pérola pra lá e pra cá e, junto com ele, os estômagos do elenco e de todos os membros da equipe. Mais de um ator ou técnico bastante resistente dobraram-se sobre a murada naqueles dias e também ficaram constrangidos. A maior e mais querida atração das multidões de fãs, Johnny Depp – mesmo depois de 12 a 14 horas por dia no Pérola – ainda dedicava uma hora e meia na maioria das noites para dar autógrafos e tirar fotos em Redondo Beach com um exército de fãs sempre crescente, muitos dos quais chegavam antes de o sol nascer, na esperança de poder ver seu herói; imagine só apertar sua mão ou ganhar um abraço e um beijo. “Acho que Johnny é a melhor coisa depois de uma fatia de pão”, diz o colega pirata David Bailie, que interpretou o calado Cotton nos três filmes. “Ele é uma simpatia. O modo como ele trata todo mundo e talvez, o que é mais importante, o público, é maravilhoso de se ver. Eu trabalhei com Laurence Olivier nos anos 1960, quando estava no National Theatre. Ele nunca era inacessível para seu público. Era sempre muito gentil e reconhecia que os fãs eram o seu pão de cada dia, e eu vi Johnny agir exatamente do mesmo modo”, conta David.

A produção então entrou em seus carros, caminhões, caminhonetes e furgões e rumou para o norte, para o Rancho Guadalupe Dunes, na bela costa central da Califórnia para rodar as cenas na praia com os quatro protagonistas: Depp, Rush, Bloom e Knightley. Esse local tem muita história, tendo sido usado em outros filmes, incluindo a versão de 1923 de Cecil B. DeMille de Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments) e o fato de alguns dos cenários terem sido enterrados há quase 80 anos e agora estarem ressurgindo nas dunas sob a forma de pedaços de madeira e gesso, um testemunho mudo da história de Hollywood. Entretanto, diferentemente de DeMille e sua turma, Bruckheimer, Verbinski e companhia não deixaram lixo algum para trás, deixando o local preservado como o encontraram.


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