
Vestidos para o sucesso – POTC 3
Para No Fim do Mundo (At World’s End), o desenvolvimento da história e dos personagens seguem em paralelo com a mudança de figurinos. Exceto, é claro, o capitão Jack Sparrow. “Jack jamais pode mudar”, afirma Rose. “Ele não tem um armário cheio de roupas. Ele é o capitão Jack e a roupa faz o homem. O mesmo acontece com o capitão Barbossa, de Geoffrey Rush. Então, em relação aos dois é simplesmente uma questão de refazer mais, mais e mais o que já foi um desafio porque foi muito difícil encontrar tecidos originais. “Por exemplo”, Rose continua: “A bandana do capitão Jack foi feita por uma tribo na Turquia, e eu tive que enviar alguém até lá para convencer a mesma tribo a tecer mais alguns metros. Nós tentamos copiar o padrão usando cânhamo e linho francês antigo, mas não ficou a mesma coisa. Então as pessoas da tribo fizeram mais de 90 metros.” “Nós vemos um Will Turner mais confiante e poderoso e uma nova e eletrizante Elizabeth Swann”, conta Rose. “Demos a Orlando uma veste de couro, uma camisa cor de vinho escuro e um belo casaco marrom. Acho que é importante que no terceiro filme você fique um pouco confuso quanto ao lado em que Will está, então tivemos que ajudar o personagem a parecer um pouco mais obscuro, metaforicamente falando. Ele tem um maravilhoso casaco azul-marinho bem escuro que confere ao personagem um visual bastante romântico e misterioso. “Keira usa um traje chinês, com uma touca ricamente bordada combinando com a gola, uma veste com borlas, uma bata inteiramente bordada em seda e, o que provavelmente deveria ser uma saia, mas que – por razões práticas – nós transformamos em um culote, de modo que quando ela fizesse as seqüências de luta, ela pudesse tirar a veste e os outros acessórios e partir diretamente para a ação”, explica Rose.
Rose também desenhou um deslumbrante traje para o legendário Chow Yun-Fat, que interpreta o capitão Sao Feng e cujo peso total chegou a 15 quilos. “Yun-Fat é o Laurence Olivier do Oriente, e nós levamos menos de 10 minutos para perceber que ele sabe exatamente o que quer”, afirma Rose. “Yun-Fat sabe como incorporar o personagem, ele sabia que estávamos ali para lhe dar o visual específico e fez todo possível para nos ajudar. Essa atitude logo evoluiu para um processo de tomada de decisão conjunta com relação ao que o espelho refletia, e para como podíamos progredir e tornar o trabalho ainda maior e melhor. Chow Yun-Fat tem uma presença forte, mas nós precisávamos que este capitão pirata chinês fosse apavorante.”
A figurinista também teve a oportunidade de desenhar o traje de Bill Nighy em uma cena retrospectiva na qual o público vê como Davy Jones era “antes de passar anos e anos no fundo do mar e de ficar coberto de cracas. Nós finalmente tiramos Bill daquele pijama cinzento que é a referência para o CGI, o que fez com que ele ficasse muito, muito agradecido”, diz ela, rindo. “Nós decidimos fazer um figurino fabuloso para Bill, porque ele ficou muito aliviado de estar livre do cinza. Eu comprei linho adamascado de uma fiação na Umbria que ainda não tínhamos usados e tingimos lindamente. Achamos que já que Bill era um homem muito elegante, Davy Jones poderia, talvez no passado, ter sido um sujeito bem vestido. Então fizemos para ele um casaco com corte quadrado de linho adamascado.” Para o filme, Rose também desenhou os trajes dos bucaneiros dos quatro cantos do mundo: África, Oriente Médio, Ásia, Europa e Américas. Os destaques neste grupo são os lordes piratas que se reúnem na Enseada dos Náufragos, tendo como chefe o Guardião do Código, o capitão Teague… interpretado pelo famoso guitarrista Keith Richards. “Eu tive muita sorte de ter feito uma prova de roupa com o sr. Richards em julho de 2005, quando ele esteve em Los Angeles pouco antes dos ensaios da banda”, relembra Rose. “E isso aconteceu na semana em que Johnny Depp não estava trabalhando, então pedi a ele para vir comigo, e ele, muito gentilmente, atendeu ao meu pedido. Devo dizer que foi hilário ver os dois juntos, porque assim que Keith vestiu seu figurino, ficou realmente fácil acreditar que os dois tinham algum parentesco.” “Foi um momento bizarro”, continua Rose, “afinal, com que freqüência você veste um ícone do rock? (Bem, na verdade, Rose já fez isso antes… para Bob Geldof em Pink Floyd: The Wall e para Madonna em Evita). Mas Keith estava morrendo de vontade de virar um pirata. Ele até queria sair naquela mesma noite vestido com o traje de pirata! Então acho que ele gostou mesmo do processo. “Cada um dos lordes piratas tinha uma identidade diferente baseada em sua origem – China, Índia, França, Espanha, África – além de suas comitivas. Todos os tecidos que usei foram diferentes para cada grupo específico.”

